A Surdocegueira e a Deficiência
Múltipla
Conforme os/as autores/as
a surdocegueira é uma deficiência única, a qual é subdividida em quatro
categorias:
- Pessoas que eram
cegas e se tornaram surdas;
- Pessoas que eram
surdas e se tornaram cegas;
- Pessoas que se
tornaram surdocegas;
- Pessoas que nasceram
ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a
oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou
cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma
compreensão de mundo.
Destacam-se ainda em Surdocegas Congênitas
ou Surdocegas Adquiridas. No primeiro caso, quando a criança nasce Surdocega ou
adquire nos primeiros anos de vida, antes da aquisição de uma língua. Já no
segundo, quando a pessoa fica surdocega após a aquisição de uma língua, seja
oral ou sinalizada.
As pessoas sudocegas utilizam as mãos que retêm
a comunicação da visão e audição.
“Felizmente, como nos recorda Harlan Leane e
Oliver Sacks, o cérebro é algo extremamente plástico. Quando se usa um dos
sentidos, o cérebro é capaz de processar com mais eficiência a informação que
provém deste sentido. As pessoas usam intensamente os dedos da mão, como os
leitores de Braille e os que tocam os instrumentos de cordas”. (Miles)
A estimulação precoce é extremamente significante para que a criança
surdocega obtenha informações.
Com freqüência, as mãos de uma pessoa que é
surdacega devem assumir um papel adicional. Não somente ser ferramentas (como
são para todas as pessoas que tem o uso de suas mãos), e órgãos sensoriais
(para compensar a visão e audição que lhes faltam), sendo que devem também
converter-se em voz, o meio principal de expressão. A linguagem de sinais e gestos é com frequência
a via principal de comunicação expressiva. Para estas tarefas, as mãos devem
possuir uma habilidade singular, capazes de expressas coisas como o tom, as
matizes de sentimento e os ênfases de significado, além de serem capazes de
formar palavras.(Miles)
As pessoas, as quais se relacionam com a pessoa surdocega devem
exercitar com frequência a comunicação utilizando as mãos, uma forma de
fortalecer a sua interação social, assim como o seu desenvolvimento
educacional.
Pais, amigos e educadores devem enfatizar a
sensibilidade especial para com as mãos. Devem aprender como ler as mãos de uma
pessoa que é surdocegae como interagir com elas...devem ‘falar a linguagem das
mãos para as mãos e ler a linguagem das mãos das mãos’” (Miles)
Poesia de uma jovem
surdocega sobre a relevância das mãos em sua vida:
Minhas Mãos
Minhas mãos são . . .
Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz, . . . Meu Coração
Expressam meus desejos, minha necessidades
São a luz que me guia através da escuridão
Agora estão livres
Não mais atadas a um mundo que vê e ouve
Estão livres
Gentilmente me conduzem
Com minhas mãos eu canto
Canto bem alto para que os surdos ouçam
Canto bem brilhante para que os cegos vejam
Elas são minha liberdade de um mundo escuro e quieto
São minha janela para a vida
Por meio delas, posso realmente ver e ouvir
Posso sentir o sol contra o céu azul
A alegria da música e do riso
A maciez de uma chuva leve
A aspereza da língua de um cão
Elas são minha chave para o mundo
Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz . . .
Meu Coração
Elas são eu mesma
Amantha
Stine, 1997.
A Deficiência Múltipla
(DMU) é considerada àquela em que o indivíduo apresenta mais de duas
deficiências. De acordo com Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, “é a
associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias
(intelectual/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam
consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa”. Os
casos reais de deficiência múltipla, do contexto da escola comum, podem
ser: deficiência visual associada a paralisia cerebral (usuária de cadeira de
rodas),deficiência
visual e deficiência intelectual, deficiência visual e autismo, deficiência
auditiva/pessoa com surdez e autismo, deficiência auditiva/pessoa com surdez e
deficiência intelectual, deficiência auditiva/pessoa com surdez e paralisia
cerebral (usuária de cadeira de rodas e surdocegueira congênita (sem um sistema
de comunicação estabelecido). Tem como causas: pré-natais, peri-natais e pós-natais. Suas necessidades
básicas destacam-se: físicas e médicas (limitações sensoriais, convulsões,
problemas com deglutição e mastigação); emocionais (atenção, afeto, desenvolver
relações sociais e afetivas) e educativas (limitações no acesso ao ambiente,
dificuldades na interpretação da informação).
Para
a comunicação das pessoas com DMU, são necessários quatro elementos básicos: o
emissor/locutor, o receptor, o tópico, o meio de expressá-lo. Também utilizada
A Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA),
A Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA),
refere-se a sistemas usados para dar suporte à habilidades comunicativas do indivíduo, cuja fala esteja
temporariamente ou permanentemente inadequada para suprir as necessidades
comunicativas do mesmo. (Ikonomidis)
Há casos em que a pessoa com DMU tentam se
comunicar através da fala, sons, vocalizações, no entanto, não conseguem
transmitir com eficácia e com CAA terão mais êxito.
Acesse o link a seguir e verá o vídeo A História da Vida de Helen Keller. (1880/1968)https://www.youtube.com/watch?v=4QOdpBPNXS0

Não há barreiras que o ser humano não possa transpor.” Helen Keller
Referências:
BRASIL.
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e
deficiência múltipla. V.5. Brasília: MEC/ SEESP, 2010.
Ikonomidis,
Vula Maria. Deficiência Múltipla Sensorial.
Instituto
Benjamin Constant. Disponível em: http://www.ibc.gov.br/index.php?query=Helen+Busca&Buscar=Buscar&amount=0&blogid=1.
Acesso
em 15 de abril de 2014.
Maia,
Shirley Rodrigues. AEE – Atendimento Educacional Especializado. Aspectos
Importantes para Saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo,
2011.
Miles,
Bárbara. Falar a Linguagem das Mãos para as Mãos. Grupo Brasil de Apoio ao
Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial. Centro Nacional para Distribuição
de Informações sobre Crianças Surdocegas. Abril, 1998.
Serpa,
Ximena. Instituto Nacional para Cegos. Bogotá. Colômbia, 2002. Comunicação para
Pessoas com Surdocegueira.
Vídeo: A História da Vida
de Helen Keller. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4QOdpBPNXS0. Acesso em 18 de
abril/2014


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