A audiodescrição é um recurso de
acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em
eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peças de teatro, programas de TV,
exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança; eventos
turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos tais como aulas, seminários,
congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora. É uma
atividade de mediação linguística, uma modalidade de tradução intersemiótica,
que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à
cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e
escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição amplia
também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e
disléxicos. (MOTA e FILHO,2010).
A audiodescrição
(AD) surgiu na década de 70 nos Estados Unidos. Atualmente, além dos Estados Unidos,
outros países se destacam nas exibições de filmes e demais eventos em AD, na
televisão, no teatro e no cinema: Inglaterra, França, Espanha, Alemanha,
Bélgica, Canadá, Austrália e Argentina.
No Brasil, a AD foi
utilizada em público, pela primeira vez, em 2003, durante o festival temático
Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, que reproduz
a ideia do festival Wie Wir Leben (Como Nós Vivemos) de Munique, na Alemanha, e
que acontece a cada dois anos. Dois anos mais tarde, em 2005, foi lançado em
DVD o primeiro filme audiodescrito do país, Irmãos de Fé, seguido de Ensaio
sobre a Cegueira em 2008, que constituem até o momento os únicos filmes
audiodescritos que foram lançados em circuito comercial. Em 2008 surgiu também
na televisão a primeira propaganda acessível para pessoas com deficiência,
promovida pela marca Natura. O Festival de Cinema de Gramado, em sua edição de
2007, e o Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, nas edições
de 2006 e 2007, foram as primeiras mostras não-temáticas a exibirem filmes
audiodescritos. No teatro, a peça Andaime, exibida em São Paulo em 2007,
foi o primeiro espetáculo teatral a contar com o recurso. Já a montagem Os
Três Audíveis foi o primeiro espetáculo de
dança audiodescrito, que aconteceu em Salvador (maio de 2008) e em Curitiba
(junho de 2009). E em maio de 2009, em Manaus, o público com deficiência visual
pôde apreciar a primeira ópera audiodescrita do país, Sansão e Dalila,
atração do XIII Festival Amazonas de Ópera. (FRANCO e SILVA, 2010).
Em 2010, o Centro Educativo do
Cariri de Apoio à Pessoas com Deficiência Visual (CEC) promoveu no auditório do
colégio Pequeno Príncipe, na cidade do Crato – CE, a primeira exibição em
público de um filme em AD na Região Metropolitana do Cariri. O filme Se eu fosse você.
A maioria do público vidente aceitou o uso de vendas. Estávamos
lá. Foi uma grandiosa experiência!
Abaixo o link da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a qual oferece Minicurso de
Audiodescrição de Obras de Arte.
Referência:
MOTA, L.M.V. e FILHO, Paulo
Romeu. Audiodescrição: Apresentação (orgs): Transformando
imagens em Palavras. Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do
Estado de São Paulo, 2010.
http://nac.ufrn.br/nac/?p=2567