sábado, 19 de abril de 2014

A Surdocegueira e a Deficiência Múltipla



A Surdocegueira e a Deficiência Múltipla

Conforme os/as autores/as a surdocegueira é uma deficiência única, a qual é subdividida em quatro categorias:
  • Pessoas que eram cegas e se tornaram surdas;
  • Pessoas que eram surdas e se tornaram cegas;
  • Pessoas que se tornaram surdocegas;
  • Pessoas que nasceram ou adquiriram surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de mundo.
            Destacam-se ainda em Surdocegas Congênitas ou Surdocegas Adquiridas. No primeiro caso, quando a criança nasce Surdocega ou adquire nos primeiros anos de vida, antes da aquisição de uma língua. Já no segundo, quando a pessoa fica surdocega após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.
As pessoas sudocegas utilizam as mãos que retêm a comunicação da visão e audição.

“Felizmente, como nos recorda Harlan Leane e Oliver Sacks, o cérebro é algo extremamente plástico. Quando se usa um dos sentidos, o cérebro é capaz de processar com mais eficiência a informação que provém deste sentido. As pessoas usam intensamente os dedos da mão, como os leitores de Braille e os que tocam os instrumentos de cordas”. (Miles)

A estimulação precoce é extremamente significante para que a criança surdocega  obtenha informações.

Com freqüência, as mãos de uma pessoa que é surdacega devem assumir um papel adicional. Não somente ser ferramentas (como são para todas as pessoas que tem o uso de suas mãos), e órgãos sensoriais (para compensar a visão e audição que lhes faltam), sendo que devem também converter-se em voz, o meio principal de expressão.  A linguagem de sinais e gestos é com frequência a via principal de comunicação expressiva. Para estas tarefas, as mãos devem possuir uma habilidade singular, capazes de expressas coisas como o tom, as matizes de sentimento e os ênfases de significado, além de serem capazes de formar palavras.(Miles)

As pessoas, as quais se relacionam com a pessoa surdocega devem exercitar com frequência a comunicação utilizando as mãos, uma forma de fortalecer a sua interação social, assim como o seu desenvolvimento educacional.

Pais, amigos e educadores devem enfatizar a sensibilidade especial para com as mãos. Devem aprender como ler as mãos de uma pessoa que é surdocegae como interagir com elas...devem ‘falar a linguagem das mãos para as mãos e ler a linguagem das mãos das mãos’” (Miles)

Poesia de uma jovem surdocega sobre a relevância das mãos em sua vida:


Minhas Mãos
Minhas mãos são . . .
Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz, . . . Meu Coração
Expressam meus desejos, minha necessidades
São a luz que me guia através da escuridão

Agora estão livres
Não mais atadas a um mundo que vê e ouve
Estão livres
Gentilmente me conduzem
Com minhas mãos eu canto
Canto bem alto para que os surdos ouçam
Canto bem brilhante para que os cegos vejam

Elas são minha liberdade de um mundo escuro e quieto
São minha janela para a vida
Por meio delas, posso realmente ver e ouvir

Posso sentir o sol contra o céu azul
A alegria da música e do riso
A maciez de uma chuva leve
A aspereza da língua de um cão

Elas são minha chave para o mundo
Meus Ouvidos, Meus Olhos, Minha Voz . . .
Meu Coração
Elas são eu mesma
Amantha Stine, 1997.


A Deficiência Múltipla (DMU) é considerada àquela em que o indivíduo apresenta mais de duas deficiências. De acordo com Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, “é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual/visual/auditiva/física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa”. Os casos reais de deficiência múltipla, do contexto da escola comum, podem ser: deficiência visual associada a paralisia cerebral (usuária de cadeira de rodas),deficiência visual e deficiência intelectual, deficiência visual e autismo, deficiência auditiva/pessoa com surdez e autismo, deficiência auditiva/pessoa com surdez e deficiência intelectual, deficiência auditiva/pessoa com surdez e paralisia cerebral (usuária de cadeira de rodas e surdocegueira congênita (sem um sistema de comunicação estabelecido). Tem como causas: pré-natais, peri-natais e pós-natais. Suas necessidades básicas destacam-se: físicas e médicas (limitações sensoriais, convulsões, problemas com deglutição e mastigação); emocionais (atenção, afeto, desenvolver relações sociais e afetivas) e educativas (limitações no acesso ao ambiente, dificuldades na interpretação da informação).


     Para a comunicação das pessoas com DMU, são necessários quatro elementos básicos: o emissor/locutor, o receptor, o tópico, o meio de expressá-lo. Também utilizada A Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA),

A Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA), refere-se a sistemas usados para dar suporte à habilidades  comunicativas do indivíduo, cuja fala esteja temporariamente ou permanentemente inadequada para suprir as necessidades comunicativas do mesmo. (Ikonomidis)

Há casos em que a pessoa com DMU tentam se comunicar através da fala, sons, vocalizações, no entanto, não conseguem transmitir com eficácia e com CAA terão mais êxito.

Acesse o link a seguir e verá o vídeo A História da Vida de Helen Keller. (1880/1968)
 https://www.youtube.com/watch?v=4QOdpBPNXS0



 









Não há barreiras que o ser humano não possa transpor.”  Helen Keller


Referências:

BRASIL. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla. V.5. Brasília: MEC/ SEESP, 2010.

Ikonomidis, Vula Maria. Deficiência Múltipla Sensorial.

Instituto Benjamin Constant. Disponível em: http://www.ibc.gov.br/index.php?query=Helen+Busca&Buscar=Buscar&amount=0&blogid=1. Acesso em 15 de abril de 2014.

Maia, Shirley Rodrigues. AEE – Atendimento Educacional Especializado. Aspectos Importantes para Saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.

Miles, Bárbara. Falar a Linguagem das Mãos para as Mãos. Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial. Centro Nacional para Distribuição de Informações sobre Crianças Surdocegas. Abril, 1998.

Serpa, Ximena. Instituto Nacional para Cegos. Bogotá. Colômbia, 2002. Comunicação para Pessoas com Surdocegueira.
  

Vídeo: A História da Vida de Helen Keller. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4QOdpBPNXS0. Acesso em 18 de abril/2014