Há várias décadas a educação das pessoas com surdez vem sofrendo com
embate entre a educação oralista e gestualista. O ensino da Língua Brasileira
de Sinais – LIBRAS e o ensino da Língua Portuguesa para o aluno com surdez, têm
causado prejuízos imensos à educação destes alunos, pois há uma relevância
dividida nas instituições educacionais brasileira. Com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva
da Educação Inclusiva exige um novo modelo de educação especial/inclusiva, na
qual os métodos e práticas educacionais sejam mais abrangentes para o seu
público alvo:
Os estudos mais recentes no campo da
educação especial enfatizam que as definições e uso de classificações devem ser
contextualizados, não se esgotando na mera especificação ou categorização
atribuída a um quadro de deficiência, transtorno, distúrbio, síndrome ou
aptidão. Considera-se que as pessoas se modificam continuamente, transformando
o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica
voltada para alterar a situação de exclusão, reforçando a importância dos ambientes
heterogêneos para a promoção da aprendizagem de todos os alunos. (MEC/SEEESP.2008)
As escolas comuns públicas e
privadas precisam romper com suas barreiras atitudinais que levam milhares de
pessoas surdas à exclusão social, porém, para que haja essa mudança, é
necessária uma compreensão de que cada pessoa humana tem sua identidade própria,
com uma história sócio-econômica-política única e que todos somos iguais
perante os direitos garantidos por lei.
Por muito tempo a pessoa com
surdez era considerada uma pessoa com deficiência, contudo a autora ressalta
que não, pois têm uma perda sensorial auditiva e que suas potencialidades são
mantidas não comprometendo seu desenvolvimento cognitivo, psíquico e
linguístico. A autora refuta os rótulos aos ouvintes e gestualistas:
Nesse sentido, sob a força do que se constitui como
paradigma inclusivo, não legitimamos os estudos e trabalhos que têm defendido
os marcadores identitários dos surdos: cultura surda, identidade surda, línguas
surdas e sujeito surdo, tendo, do outro lado, os seus oponentes: os ouvintes
dominadores.
Percebemos portanto, uma situação de dominado (gestualista) e dominante
(oralista), na qual as pessoas com surdez são marginalizadas, pois utilizam a
LIBRAS para comunicar-se, diferenciando-se da maioria.
O conhecimento da LIBRAS não é única condição para o desenvolvimento
educacional dos alunos com surdez, pois como afirma (DAMÁZIO.2010) “O problema da educação das
pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua
(...), mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas”. E
ainda reforça seu pensamento quando afirma que “Se só a
posse de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam
problemas de aproveitamento escolar, já que entram na escola com uma língua
oral desenvolvida”. Constatamos a relevância urgente de mudanças educacionais
na gestão escolar, pois a existência de um novo olhar para a inclusão das
pessoas com surdez transformará suas vidas.
Conforme
a autora, existem vários estorvos que causam transtorno à educação inclusiva, entre
eles:
Exigência do
aprendizado da Língua Portuguesa pelo aluno com surdez no mesmo tempo e ritmo
que os ouvintes; conteúdos ministrados em língua oral ou só por meio da
interpretação de Libras em sala de aula comum, o que não garante o efetivo
desenvolvimento e aprendizagem; sala de
recurso no contra turno com a finalidade de reforço e apoio; intérprete de
Libras assumindo o papel do professor do AEE PS e da sala de aula comum; uso exclusivo da Libras
no cotidiano do trabalho escolar, negando o direito de aprender o português
escrito.
O bilinguismo é bastante valorizado pela autora que aponta o Decreto 5.626,
de 5 de dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a
formação da pessoa com surdez, na qual o acesso a LIBRAS e a Língua Portuguesa aconteçam
simultaneamente no ambiente escolar, para isto citamos os três momentos didático-pedagógicos:
·
Atendimento Educacional Especializado em LIBRAS,
o qual acontece diariamente no contraturno ao da sala de aula comum. Os alunos
estudarão os conteúdos curriculares, que serão antecipados para o professor do
AEE; o Atendimento Educacional Especializado em Língua Portuguesa, onde ocorre no
horário contrário da sala de aula comum, na Sala de Recurso Multifuncional,
sendo desenvolvido por um professor, preferencialmente, formado em Letras e o Atendimento
Educacional Especializado de LIBRAS, realizado pelo professor e/ou instrutor de
libras (preferencialmente, por profissionais com surdez). Nesse trabalho o
professor deverá evitar o bimodalismo, ou seja, misturar a LIBRAS e a Língua
Portuguesa.
Referências:
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional
Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.
p.46-57.
BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf.
Acesso em março/2014.
